Me ressuscitaram as 24 horas e 11 minutos de uma sexta feira. Eu me sentia engasgada. Fui entubada, pensei que tinha morrido. Mas algum tempo depois vi que a situação era bem pior. Não conseguia me mover. Ainda na ambulância os paramédicos procuravam na minha bolsa o meu celular, e algum documento. Encontraram minha carteira e meus documentos. Finalmente chegamos ao hospital. Fui levada imediatamente para mesa de cirurgia, é claro que eu não sabia que eu tinha hemorragia interna. Ou que minha coluna foi pega de jeito. Mas eu sabia que a coisa era feia. Perdi a consciência novamente. Os médicos em cima de mim lutavam desesperadamente por uma garota que fuma que nem uma caipora e mata aula para conversar derivados de abóboras pequenas. Após horas e horas de cirurgia e sono profundo, acordo. Tinha se passado 5 dias desde a primeira cirurgia e mais uma parada.Maldito cigarro.Abro os olhos com dificuldade, meus olhos querem fugir da luz.O primeiro rosto que vejo ainda está entrando em foco, mas eu conheço o cheiro da minha mãe de longe.Ela envelheceu uns 8 anos desde da manha que me despedi para ir trabalhar.Seus olhos inchados e quase some no fundo do seu rosto.Ela dá um sorriso molhado de lagrimas de alegria.Eu não sabia mas quando cheguei, no hospital na fatídica noite, eu estava desenganada.Ela não consegue dizer nada, só sorri e olha pra mim com um carinho, uma ternura tão grade que faria Hitler chorar.Ela passa a mão nos meus cabelos, e segura na minha mão.Minha avó está logo atrás, com um rosário na mão e olhos vermelhos. Ela coloca a mão na minha cabeça e reza, agradece e chora. Eu ainda estou muito fraca, um pouco atordoada com os remédios. Mamãe ao que parece liga para meu avô, minha tia e meu pai. Após desligar, o telefone toca, ele toca várias vezes. É, parece que muita gente torceu por mim. Não sabia que era tão querida. Eu me lembro que não consegui me mexer. Olho para a minha mãe, e aponto com os olhos ainda fracos para as minhas pernas. Ela diz, “foi quase querida, por muito pouco. Em pouco tempo você vai passear por aí”. Eu durmo novamente. A recuperação é difícil, nos próximos dias eu acordo poucas e rápidas vezes. Ainda não consigo ficar acordada muito tempo. Mas sei que em meio os sonhos, escuto a voz de Nina, de Chico e Vinicius. E de minha mãe, conversando com minha avó ou minha tia.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

2 comentários:
Hey, Gabi!
Não falei que passaria por aqui!
Bjos
Henrique
Abrir a vida num é bom...
Postar um comentário